sábado, 13 de janeiro de 2018

AS HERESIAS EM RELAÇÃO A JESUS CRISTO

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A doutrina da Pessoa de Jesus Cristo é crucial para a fé cristã. Na vida da Igreja Primitiva surgiram ensinamentos que procuraram negar a Cristo tanto no aspecto da Sua humanidade como da divindade.

O apostolo João deixou bem explicito quando afirma que todo espírito que não confessa a Jesus não vem de Deus (1Jo 4.3). Precisamos saber quais são os falsos ensinos para não sermos enganados aceitando esses erros doutrinários e estarmos prontos a refutá-los.

Apontarei alguns grupos hereges e seus respectivos ensinamentos com relação a humanidade e a divindade de Jesus.


1- Em relação à humanidade de Jesus


A Bíblia registra que quando Jesus esteve aqui no mundo foi plenamente humano, homem (Sl 121.4.5; Mt 1.20; 3.16; 4.2; 9.36; 21.12,13; 26.12,37,38; Lc 1.33-35; 2.41-52; 10.21; 23.46; Mc 11.13; 13.5; 15.19; Jo 1.1,2,14; 4.6,7,9; 13.23; Rm 1.3; 1Co 15.3; Hb 4.15). Mas no decorrer da história da Igreja alguns negaram esse fato. O teólogo Héber de Campos afirma que ``...a questão da plenitude da humanidade do Redentor foi, na história da igreja, e ainda continua sendo, um problema teológico, pois tem gerado controvérsias no que diz respeito ao modo como as coisas sobrenaturais se deram.´´ (CAMPOS, 2003, p. 347).

Essa dificuldade é em relação de como se deu a encarnação do Verbo, pois muitos não creem que Deus se humanizou. E, um dos movimentos heréticos mais antigos é:



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Docetismo: do gr. doketai que significa ``aparência´´ e ``semelhança´´. Uma vertente do gnosticismo. Afirmavam que Jesus verdadeiramente não possuiu um corpo, mas apenas tinha uma aparência de um homem. Héber (2003, p. 348) adverte que ``Realmente, o docetismo é um perigo em que alguns crentes desatentos acabarão caindo...´´, temos que ter atenção nos falsos ensinos deste grupo. A humanidade de Jesus é essencial para a nossa redenção.
Os docéticos possuem a dificuldade em aceitar a real união das duas naturezas do Salvador Jesus. 

1.1- Alguns docetistas ao longo da história

Docetismo do gnosticismo: Esse movimento foi combatido no final da era da Igreja Primitiva pelo apóstolo João (1Jo 1.1; 4.2; 5.6-8; 2Jo 7).

Eles abraçaram o dualismo grego – a matéria é má e oposta ao espírito. O corpo possui conotações más, desta forma, Jesus não poderia de forma alguma possuir um corpo físico. Eles criam que Cristo era uma espécie de fantasma. Para eles Cristo desceu a terra para trazer a centelha divina – gnosis,para serem libertos da matéria e serem salvos.

Portanto,``Os falsos mestres do gnosticismo do primeiro século não poderiam admitir a corporeidade, ou, melhor, a materialidade do corpo de Jesus, em virtude do seu comprometimento com a filosofia grega que ensinava que a matéria era má.´´ (CAMPOS, 2003, p. 352).

Docetismo marcionita: Márcion foi um herege no segundo século. Não foi diretamente um docetista, mas em relação ao seu pensamento cristológico, a tendência é docética. Ele recortou livros e trechos bíblicos da Bíblia ao seu bel prazer. Por exemplo, ele não aceita o que está registrado em Gl 4.4, acreditava que ``...alguns judeus falsificadores teriam...´´ (CAMPOS, 2003, p. 357) adicionados esses textos.

Para Márcion Jesus não possuía um corpo, era uma espécie de fantasma, para isso, ele citava Lucas 4.30 que ``prova´´ - interpretava assim, que Jesus era um fantasma.


 Docetismo de PráxeasPráxeas (200 d.C.) foi um líder do monarquianismo patripassiano um grupo que não aceitava nem o termo e muito menos  o ensino acerca da Trindade. No pensamento deste grupo em relação a humanidade de Jesus, não havia nenhuma diferença entre o Pai e Cristo. Para eles o Pai veio ao mundo, tornou-se visível, eterno, nasceu, sofreu e morreu na cruz.


Eles dão ênfase no divino e ``Para preservar a verdadeira divindade de Cristo, os patripassianos identificaram-no com o Pai e acabaram crucificando o Pai.´´ (CAMPOS, 2003, p. 358). Os patripassianos acreditavam que o Pai se humanizou, mas sem uma alma racional. Um ensino totalmente contraditório das Sagradas Escrituras.

Docetismo de Sabélio: No século III deparamos-nos com a atuação dos pensamentos do principal líder dos modalistas, Sabélio. Esse grupo, assim como os outros, também possui influencia docética. São chamados de modalistas, pois criam na atuação do Pai, Filho e Espírito Santo como sendo unitário, uma única pessoa.

Para eles, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não são pessoas distintas, são modos ou manifestações de revelação de Deus. Não criam em Cristo com corpo humanizado, somente divino, ou seja, Cristo era a mesma pessoa do Pai, apenas manifestado num tempo diferente.

Docetismo de Apolinário: No século IV, temos o bispo Apolinário. Segundo Héber (2003, p. 360) ele era um docético em sua cristologia. Ele cria que Cristo era Deus e homem. Porém, elaborou uma tese tripartida da humanidade de Jesus.

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Para ele, Jesus tinha tanto um corpo (somahumano como uma alma (psyque) real, mas não um espírito (pneuma) humano. Haja vista, Apolinário defendia o conceito tricotomista antropológico, o pneuma humano de Jesus foi substituído pelo Logos divino. Jesus não possuía uma mente humana racional, pois para Apolinário a mente humana era corrompida.

Ele ensina que o Logos desalojou a alma racional, Cristo então passou a ter uma mente divina. Apolinário não cria na totalidade humana de Jesus, apesar de afirmar que era totalmente divino.

Docetismo de Menno Simons: O docetismo não morreu nos primórdios da era cristã, sempre aparece alguém para ressuscitá-lo. E neste caso aparece Menno Simons (séc XVI) – do movimento menonita, que influenciado por Melchior Hofmann, afirmou que Cristo divino desceu do céu como um raio de sol para o ventre de Maria, sem possuir a carne pecaminosa.

Simons acreditava que a natureza humana de Jesus veio do céu e depois foi ``...concebido em Maria, mas não de Maria.´´ (CAMPOS, 2003, p. 364) - Grifo meu. Para ele, como Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de Maria. Contudo, Ele não possuiu nada de Maria. Desta forma, Cristo não pode ser considerado verdadeiramente humano, pois veio do céu. 

Docetismo de Rudolf Bultmann: Teólogo proeminente da era neo-ortodoxia (séc. XVIII). Em pleno fervor do liberalismo teológico, Bultmann separa o Jesus de Nazaré do Cristo da fé. Ensinou que o Novo Testamento é recheado de estórias mitológicas e que ``A pregação do Novo Testamento anuncia a Jesus Cristo, não só sua pregação acerca do reino de Deus, senão à sua pessoa, que foi mitologizada desde o início do cristianismo primitivo.´´ (BULTIMANN, 2008, p. 14).

Por querer fazer separação de Jesus de Nazaré do Cristo da fé, ele ainda afirma que a concepção de Jesus pelo Espírito Santo em uma virgem significa que ``Tais concepções são manifestamente mitológicas, posto que se  encontravam muito difundidas nas mitologias de judeus e gentios, e depois foram transportadas à pessoa de  Jesus.´´ (BULTIMANN, 2008, p. 15) - Grifo meu.

Sem sombra de dúvida o senhor Bultmann é um docético quando verbalizou esses pensamentos acerca da existência e humanidade do nosso Salvador. De forma alguma os ensinamentos bíblicos deve se adequar ou se encaixar conforme época ou a realidade existencial do homem.

Docetismo contemporâneo: Obviamente não iremos encontrar um grupo docético específico dentro das Igrejas, mas há muito docetismo oculto em ensinos, pregações e na vida individual de alguns crentes. Todavia, cristãos zelosos amam a Jesus, porém, para eles Cristo é divino. Na ignorância, esses crentes acabam prejudicando o conceito da plena humanidade do Senhor Jesus.

Temos que entender o seguinte, a plena humanidade de Cristo é o meio pelo qual Deus realizou a nossa salvação. Negar isso, é negar o plano da salvação estabelecida por Deus. O docetismo foi combatido nos primórdios do cristianismo pelos apóstolos e também nos respectivos:

   - Concílios: em Nicéia (325 d.C.) e em Calcedônia (451 d.C.).

   - Confissões reformadas: Confissão Belga (1561) e Confissão Helvética (1566).

Segue o credo de Nicéia que diz: 

``Cremos em um só Deus, Pai onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de luz, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não feito, de uma só substância com o Pai, pelo qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem, e sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e novamente deve vir para julgar os vivos e os mortos.´´ (CAMPOS, 2008, p. 370) - Grifo meu.

Que ficamos atentos aos ensinos heréticos do docetismo que nega a plena humanidade de Jesus Cristo, a Bíblia declara que todo o que nega que Jesus era humano não procede de Deus (1Jo 4.1-3). No próximo artigo abordarei das heresias em relação a divindade de Jesus. Deus os abençoe!!



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BULTIMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. 4ª edição. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.


CAMPOS, Héber Carlos de. As duas naturezas do Redentor. 1ª edição. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.


MYATT, Alan. FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. A doutrina da Pessoa e Obra de Cristo. 2002.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Qual o papel do teólogo?

Leia... texto enriquecedor para esclarecer alguns conceitos equivocados acerca do papel do teólogo.

Texto retirado do site: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/338/o-teologo-a-servico-de-deus-e-nao-da-teologia

O teólogo a serviço de Deus e não da teologia

Antes de conhecer Deus academicamente, o teólogo precisa conhecê-lo pessoalmente.
Antes de descrever Deus, o teólogo precisa ter comunhão com ele.

Antes de descrever o amor de Deus, o teólogo precisa sentir-se amado por ele.

Antes de descrever a autoridade de Deus, o teólogo precisa submeter-se a ela.

Antes de descrever a santidade absoluta de Deus, o teólogo precisa descrever a sua absoluta pecaminosidade.

Antes de mencionar a sabedoria de Deus, o teólogo precisa confessar a sua ignorância.

Antes de se enveredar pelo problema filosófico e teológico do sofrimento, o teólogo precisa aprender a chorar com os que choram e a alegrar-se com os que se alegram.
Antes de tentar explicar as coisas mais profundas e misteriosas da teologia, o teólogo precisa ser honesto consigo mesmo e com os outros e admitir que nas cartas de Paulo e em outras passagens da Bíblia há coisas realmente difíceis de entender.

Antes de ensinar e escrever teologia, o teólogo precisa entender que sua responsabilidade é enorme, porque, exatamente por ser reconhecido como teólogo, ele será ouvido, lido, consultado, citado. O teólogo não pode inventar suas teologias, assim como o profeta não podia inventar suas visões nem declarar “assim diz o Senhor”, se o Senhor nada lhe dissera.

O teólogo não pode ser nem frio nem seco. Ele tem de declarar com toda empolgação que Deus é amantíssimo, graciosíssimo, justíssimo, misericordiosíssimo, puríssimo, santíssimo, sapientíssimo e terribilíssimo1.

O teólogo precisa de humildade para explicar as coisas já reveladas e calar-se diante das coisas ainda ocultas.

O teólogo precisa caminhar lado a lado com a fé e com a razão e, se em algum momento tiver de abrir mão de uma delas, deve ficar com a fé.

O teólogo deve construir e, em nenhum momento, destruir.

O teólogo obriga-se a separar o trigo do joio, a verdade do mito, a revelação da tradição, a visão verdadeira da falsa visão, o bem do mal, a luz das trevas, o doce do amargo, a vontade de Deus da vontade própria.

O teólogo tem o compromisso de insistir na unicidade de Deus e condenar a pluralidade de deuses, tanto os de ontem como os de hoje2.

O teólogo tem a obrigação de equilibrar a bondade e a severidade de Deus, o perdão e a punição, a vida eterna e a morte eterna, a graça e a lei.

O teólogo é um fracasso quando não menciona que Deus amou tanto o mundo que deu seu único Filho por uma só razão: para que ninguém fosse condenado, mas tivesse, pela fé em Jesus, plena e eterna salvação!


Notas
1. Veja Deus no superlativo.
2. Como, por exemplo, o deus-eu.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Jesus esvaziou-se a si mesmo

Muita confusão se faz acerca do texto de Filipenses 2.7 em que o apóstolo Paulo registra que Jesus esvaziou-se, mas a pergunta é: Ele se esvaziou de que? Responderei fazendo uma pequena exposição do texto.

Estamos diante de uma epístola que foi escrita por Paulo no ano 60 a 63 d.C. Ele encontrava-se preso - sua primeira prisão, em Roma. Décadas antes recebeu uma visão, um chamado para pregar em Macedônia (At 16.6-10), em obediência acatou a ordem e partiu para Macedonia. Ali fundou a Igreja em Filipos e tudo indica que foi a primeira Igreja européia, Lídia foi uma das primeiras a crer em Jesus (At 16.14,15).

Uns dos motivos que levou Paulo a escrever esta carta foi: 1) Agradecer a esses crentes pela ajuda recebida e 2) Resolver alguns problemas pastorais. Apesar que estava preso, essa epístola é a mais alegre que ele redigiu.

A questão do que Paulo ressalta e que gera confusão no meio evangélico é o auto-esvaziamento do Redentor que culminou no aparecimento da ``doutrina da kenosis´´ em meado do século XIX defendida por teólogos como: Johann Ebrard, Wolfgang Gess, Charles Gore, Thomasius, Hans Larsen Martensen e etc. Na doutrina da kenosis vou citar três interpretações de Fp 2.7 que eles expõem, tais quais:

1- Jesus se esvaziou mas manteve os atributos morais – amor, bondade, piedade e etc, e abriu mão dos atributos infinitos – onipotência, onisciência, onipresença e etc.

2- Ele abriu mão totalmente da sua natureza divina.

3- Os atributos divinos foram reduzidos para se acomodarem a um modo humano.


      I- Análise de algumas versões bíblicas - tradução do termo grego kenosev do texto de Fp 2.7
 
       Versões brasileiras, inglesas, espanhóis e alemão:

      - ARA, ALFALIT, NVI, ERC, KJA, DBT, EVR, SBB: ``esvaziou´´.

      - NTLH: ``abriu mão de tudo o que era seu´´.

      - ARC: ``aniquilou´´.

    - KJV: ``But made himself of no reputation´´. Tradução:  ``Mas não se fez reputação´´. 

      - SEV (Spanish) 1569 e RVR (Spanish Reina Valera) 1909: ``Sin embargo, se anonadó á sí mismo´´. Tradução: ``ele se tornou autoproduzido´´.

    - BJ (espanhol): ``Sino que se despojó de sí mismo´´. Tradução: ``ele se esvaziou´´.
 
     - Deutsch: Luther (1912): ``sondern entäußerte sich selbst´´. Tradução: ``mas se privou de si mesmo´´.
 
    - Vulgata: ``sed semet ipsum exinanivit´´. Tradução: ``mas esvaziou-se a si mesmo´´.

      Percebe-se que a maioria das versões a palavra kenosen está traduzida como esvaziou.
 
 E  Em todas as cópias dos manuscritos em grego o termo é ``ἐκένωσεν´´ (kenosen).
    

      Códex Sinaitucus do século IV 

      

      II- Qual o significado da palavra kenosen?

      Para os respectivos léxicos significa:

      - Felix Wilbur (1993, p. 114): esvaziar.

      - Strong (2002, p. 1456): esvaziar, tornar vazio. De Cristo, que abriu mão da igualdade com Deus ou da forma de Deus. Anular. Privar de força, tornar vão, inútil, sem efeito. 


      III- Entendendo o termo esvaziar em Fp 2.7


     Na Igreja em Filipos havia um problema prático como intrigas, contendas e rixas,  Paulo resolveu essa questão utilizando a Cristologia. Ele utilizou verdades acerca da humildade e obediência de Cristo.
      
     Diante dos assuntos que são abordados nesta epístola, Paulo exorta aos filipenses (Cap. 2) a serem humildes e a terem o mesmo pensamento que Cristo teve, ou seja, em Jesus houve interiormente uma disposição favorável em ser obediente.

     Em nenhum momento vamos encontrar Paulo afirmando que Cristo abriu mão de atributos divinos ou deixou de ser Deus ou ainda que o Logos tomou lugar da alma humana de Jesus - neste último é uma influencia de Apolinário. Para resolver o problema na Igreja, ele utiliza Cristo como exemplo de servo. Haja vista do Redentor ter possuído uma natureza divina - forma de Deus (morphe Theou), em nenhum momento Ele usurpou (roubou) o lugar do Pai. 

      Os quenosistas afirmam que Jesus pôs de lado o uso dos Seus atributos divinos, mas na verdade Ele se submeteu a autoridade e vontade do Pai.

      Diante dos muitos significados que a palavra kenosen possui, dentro do contexto do cap. 2, o termo ``esvaziou´´ denota que Jesus não abriu mão dos atributos divinos, de ser Deus ou de ter se tornado vazio ou inútil, mas da posição elevada, do status, de todos os privilégios que possuía antes de se encarnar. Paulo dá ênfase da posição de humilhação que o Salvador assumiu (vs. 7,8). Ele deixou sua posição de Rei e assumiu uma natureza humana - Ele era plenamente humano, para tomar sobre si os nossos pecados. Ele abriu mão dos Seus privilégios e assumiu a forma de servo (gr. doúlou - escravo) para morrer em nosso lugar. Darrel (2008, p. 358) reitera que ``...o esvaziar denota assumir uma condição nova e mais humilde.´´ e não de se esvaziar do que já era.

Nos vers. 5-11 Paulo retrata os dois estados de Cristo - humilhação (vs. 5-8) e exaltação (vs. 9-11). 
       
       


Cristo se esvaziou dos Seus privilégios, da Sua grandeza, do Seu governo e desceu do Seu Trono para assumir uma natureza humana e viver uma posição de servo/escravo. E viveu uma vida em obediência até a morte e morte de cruz (v. 8). Assim como Jesus, os filipenses também deveriam se esvaziar dos seus privilégios e tornar-se humildes, amorosos e unidos para que o progresso do Evangelho possa atingir seus objetivos (1.27; 2.3).

Esta mensagem continua bem atual para nós hoje, em que muitos crentes competem um com outro por causa de cargos, posição, dinheiro, fama e etc. Que venhamos nos esvaziar de tudo aquilo que não agrada ao Senhor, esvaziar dos desejos carnais, do ``eu´´, dos privilégios e direitos que achamos que temos e regaçar as mangas para trabalhar e proclamar Cristo como Senhor e Salvador ao mundo.




      REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


     GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento: Grego/Português. São Paulo: Vida Nova, 1993.

    STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong: Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. São Paulo: SBB, 2002.
        
     ZUCK, Roy B. BOCK, Darrel L. Teologia do Novo Testamento. Teologia das epístolas paulinas escritas na prisão. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
     
http://www.bibliaonline.net/biblia/?livro=50&versao=12&capitulo=2&leituraBiblica=&tipo=1&lang=pt-BR&cab=
     
  http://www.codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx?book=42&chapter=2&lid=en&side=r zoomSlider=0

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Macrina - A ``Mestra´´ capadociana

Fonte da imagem: http://www.traditioninaction.org/SOD/j137sdMacrina_6-19.htm
Ela nasceu em 327 d.C., Cesaréia, na Capadócia (sul da Ásia Menor), hoje essa região pertence a Turquia. Macrina foi irmã dos famosos teólogos capadocianos, Basílio, o Grande e Gregório de Nissa.  Foi a mais velha dos dez irmãos. Seus pais - Basílio e Emília, eram totalmente religiosos. Sofreram a dura perseguição dos imperadores romanos naquele período, que segundo o historiador Ricardo da Costa foi proferida pelo imperador Galério Máximo (293-311).

Quando tinha doze anos foi prometida a casamento ao um jovem que preparava para ser advogado. Infelizmente esse casamento nunca aconteceu, pois o futuro esposo faleceu. Seus pais até tentaram preparar algum outro pretendente, mas Macrina recusou-se. Decidiu dedicar-se sua vida pra Deus e auxiliar a mãe nas tarefas domésticas. 

Seu irmão Basílio anos mais tarde foi estudar, segundo Justo Gonzalez primeiro ``em Cesaréia, a principal cidade da Capadócia; depois em Antioquia, em Constantinopla, e por último em Atenas.´´ (GONZALEZ, 1995, p. 127). Quando retornou para Cesaréia aceitou o convite da cátedra de retórica da Universidade da cidade.

Em 340 d.C. Macrina com quinze anos de idade perde o pai e neste mesmo ano se deu o nascimento do irmão caçula Pedro e que segundo seu irmão Gregório em  sua obra ``Vida de Macrina para o monge Olimpio´´ (NISSA, 972C, p. 10), ela foi para o irmão ``pai, professora, tutora, mãe, doadora de todos os bons conselhos...´´. Anos depois a família recebeu outro grande golpe, a morte de Naucratius. Rapaz de dons naturais exuberante, largou tudo e foi viver uma vida de solidão e pobreza para cuidar de pessoas pobres e debilitadas as margens do rio Íris, em Ponto, numa certa propriedade da família (NISSA, 968A, 968B, pp. 6-7). 

Macrina sempre esteve ao lado da mãe e dos irmãos auxiliando-os em tudo que fosse possível. Como a família possuía ótimas condições de vida, Macrina conseguiu convencer a mãe a transformar a casa em um mosteiro, especialmente para as mulheres que queriam viver uma vida contemplativa para Deus. Ricardo da Costa afirma que eles ``Levavam uma vida de estrito ascetismo, dedicando-se à meditação sobre as verdades do cristianismo e às orações. Era uma organização de tipo familiar que se prestava  costumeiramente a auxiliar os pobres´´ (COSTA, 2001).

Além de ter vivido uma vida ascética - ter se separado dos costumes mundanos para viver diretamente para Deus, Macrina também demonstrou ter uma excelente capacidade intelectual. Sua mãe a alfabetizou utilizando as Escrituras Sagradas. Ela também lia tratados de teólogos da época, por exemplo, de Orígenes. Incentivou a fé de seus irmãos. Por incentivo da irmã, Basílio construiu monastérios e delimitou regras que guiaram a vida monástica da Igreja Ortodoxa. 

Macrina e seus irmãos viveram num período conturbado do cristianismo no século IV: as perseguições aos cristãos, a ascensão do império de Constantino, os Concílios, os falsos ensinos, o arianismo e etc.

Tanto Basílio como Gregório de Nissa contribuíram para o desenvolvimento doutrinário daquele período, principalmente acerca da Trindade. Macrina foi apelidada pelo seu irmão Gregório de ``a Mestra´´, e em ``O Diálogo sobre a Alma e a Ressurreição´´ ele registrou que ela era como professora e filosofa cristã ideal, que sempre buscava a Deus de todo o coração. Ela se afeiçoava aos estudos bíblicos e pelos registros da obra acima citada, foi uma pessoa dedicada de excepcional excelência nos estudos da Escritura e além do mais dentro deste aspecto, ela foi conselheira em assuntos bíblicos de seus irmãos. Era respeitada por todos, homens, mulheres, clérigos e dentre outros.

Macrina faleceu em 379 d.C. e seu irmão Gregório ficou responsável em realizar os ofícios fúnebres. Ela foi sepultada no mesmo túmulo da mãe (Nissa, 996B, p. 25).




REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


GONZALEZ, Justus. A era dos gigantes: Uma história ilustrada do cristianismo. Vol 2. São Paulo: Vida Nova, 1995.

KASTNER, Patricia Wilson. Macrina: Virgem e professora. https://www.andrews.edu/library/car/cardigital/Periodicals/AUSS/1979-1/1979-1-07.pdf

NISSA, São Gregório de. Vida de Macrina para o monge Olímpio. Século IV.

https://monasticmatrix.osu.edu/cartularium/life-macrina-gregory-bishop-nyssa

http://www.ricardocosta.com/artigo/vida-de-macrina-santidade-virgindade-e-ascetismo-feminino-cristao-na-asia-menor-do-seculo-iv